O sul de Moçambique foi atingido por cheias devastadoras que causaram mais de 100 mortes e afectaram cerca de 432.000 pessoas, incluindo milhares de crianças em risco extremo. O desastre provocou a destruição generalizada de habitações, gado e infraestruturas, com particular gravidade na Província de Gaza após a abertura sem precedentes das 14 comportas da Barragem de Massingir. A Save the Children tem respondido activamente através do uso de barcos para resgatar famílias isoladas e da prestação de ajuda de emergência em centros de acomodação temporária. Apesar destes esforços, a organização alerta que os recursos humanitários estão criticamente limitados e que é necessário apoio internacional urgente para evitar que a crise se agrave, dado que a queda de chuvas fortes continua.
MAPUTO, 19 DE JANEIRO DE 2026: Milhares de crianças estão em risco devido às graves cheias no sul de Moçambique que danificaram casas e submergiram estradas. A Save the Children está a utilizar barcos para recolocar algumas das famílias em maior risco, enquanto dezenas de pessoas permanecem isoladas em áreas inacessíveis.
Mais de 100 pessoas perderam a vida neste desastre, com os órgãos de comunicação social locais a relatarem pelo menos duas crianças entre os que se afogaram. O Instituto Nacional de Gestão de Desastres indicou que cerca de 432.000 pessoas foram afectadas em Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala e Zambézia, com quase 30.000 casas parcialmente danificadas ou destruídas [1].
A Save the Children está a prestar assistência através da recolocação de famílias via barco, partindo de zonas baixas para centros de acomodação temporária, onde estão a receber ajuda de emergência. No entanto, as necessidades superam largamente os recursos, com alguns centros de deslocados a abrigarem tanto pessoas como gado, criando riscos de saúde e higiene para as crianças.
A situação é particularmente crítica na Província de Gaza, onde, pela primeira vez em quase 50 anos, todas as 14 comportas da Barragem de Massingir foram abertas, libertando até 17.000 metros cúbicos de água por segundo. Esta acção fez com que o Rio Limpopo transbordasse, submergindo a cidade do Chókwè e grande parte do distrito de Guijá, e deslocando milhares de pessoas.
De acordo com o governo, cerca de 322 km de estradas foram danificados, juntamente com 18 unidades sanitárias. Segundo a ONU, perderam-se cerca de 27.000 cabeças de gado — essenciais para os rendimentos familiares.
As evacuações em massa continuam em curso, com pessoas ainda isoladas em áreas inacessíveis, e diversas bacias hidrográficas encontram-se em alerta vermelho.
Desde meados de Dezembro de 2025, chuvas excepcionalmente fortes em Moçambique e nos países a montante encheram as principais albufeiras até à sua capacidade máxima, forçando uma descarga de água sem precedentes para rios já saturados. Na semana passada, o Governo de Moçambique declarou Alerta Vermelho Nacional, avisando que a situação poderá piorar nos próximos dias à medida que a chuva continua e os níveis dos rios sobem ainda mais.
Ilaria Manunza, Directora de País da Save the Children em Moçambique, afirmou:
“As cheias estão a desenrolar-se no meio de uma emergência humanitária mais ampla, empurrando comunidades já exaustas para uma crise ainda mais profunda. Com a previsão de continuação de chuvas fortes e a capacidade de resposta severamente limitada, as famílias estão a ser deslocadas, as crianças estão em risco extremo e é necessário apoio urgente agora.
“Os recursos são criticamente limitados. As crianças estão, mais uma vez, a pagar o preço mais elevado da crise climática em Moçambique, com casas, escolas e meios de subsistência debaixo de água. Sem apoio internacional imediato, esta emergência irá agravar-se ainda mais.”
Trabalhando em estreita colaboração com parceiros humanitários e com o governo, a Save the Children planeia expandir a sua resposta.
A Save the Children trabalha em Moçambique desde 1986, respondendo a grandes emergências, incluindo cheias, ciclones, secas e deslocamentos causados por conflitos, e executando programas de protecção à criança, educação, saúde e nutrição, saneamento e segurança alimentar, com o compromisso de fortalecer a liderança local através de parcerias.
Para mais detalhes:
Abel Baloi
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